CEM discute a diversidade de contexto das metrópoles no Fapesp Week Belgium
Grandes desafios societais em metrópoles e tendências demográficas em grande escala no Brasil foram os temas abordados.
 
Realizar parcerias internacionais em pesquisa requer um cuidado extra com a contextualização dos objetos a serem estudados, já que podem envolver realidades muito distintas. Esse é o caso de estudos relacionados às metrópoles. Em sua participação no Fapesp Week Belgium, evento realizado entre os dias 8 e 10 de outubro na Bélgica, a diretora do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), professora Marta Arretche, falou sobre a abrangência do tema do painel do qual participou, “grandes desafios societais em metrópoles”, realizado no dia 9. Também participou do evento o professor José Marcos Pinto da Cunha, que coordena o projeto do CEM “Metropolização, mobilidade e segregação socioespacial da população”. Ele falou sobre os movimentos demográficos em grande escala no Brasil.
 
 
 
A diretora do CEM, professora Marta Arretche, durante apresentação no Fapesp Week Belgium.
(Foto: Elton Alisson de Moura/Divulgação-Fapesp)
 
 
“O termo desafios societais é tão abrangente que, dada a diversidade dos contextos metropolitanos, traz embutido um risco de estarmos falando de coisas muito diferentes usando termos similares”, afirmou ela. “Caminhos frutíferos de cooperação requerem que os cientistas sociais tenham controle sobre a comparabilidade dos objetos. Falar de desigualdade em um país como a Bélgica não é o mesmo que tratar do tema no Brasil”, acrescentou.
 
Durante o Fapesp Week Belgium, pesquisadores do Brasil e da Bélgica se reuniram nas cidades belgas de Bruxelas, Liège e Leuven, para apresentar resultados de novos estudos, estreitar colaborações e estabelecer novas parcerias. O evento foi promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em conjunto com as organizações belgas Department of Economy, Science & Innovation (EWI), National Fund for Scientific Research (FRS-FNRS), Research Foundation Flanders (FWO) e Wallonie-Brussels International (WBI). O CEM é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) financiados pela Fapesp. 
 
Em sua apresentação, Arretche mostrou alguns dados sobre a realidade brasileira. Segundo a categorização da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil tem 25 aglomerações urbanas, dispersas em todas as regiões. “Aqui, um primeiro aspecto a ser destacado é a grande desigualdade entre as próprias metrópoles. Os desafios em São Paulo são distintos dos enfrentados em Belém, que estão relacionados a acesso a serviços essenciais, como água e tratamento de esgoto”, exemplificou. 
 
Há uma segunda desigualdade, em termos de escala, quando se trata de estudar as metrópoles nacionais. “Dentro das regiões metropolitanas, observamos a presença de uma cidade mais rica, cercada por municípios periféricos”, completou. Um terceiro nível dessa desigualdade se manifesta ao se estudar as próprias cidades. “Se, para estudar o Brasil, não levarmos em conta as desigualdades entre regiões, entre as regiões metropolitanas, entre as cidades que as compõem e as desigualdades existentes dentro de cada cidade, falaremos de abstrações com pouco sentido analítico”, ressaltou. 
 
É preciso ter o mesmo cuidado em relação às escalas e às diferentes realidades em estudos de cooperação internacional. “Na Antuérpia, por exemplo, o transporte público é gratuito. O grande problema para essa cidade é a integração dos imigrantes, que apresentam outros costumes, língua, qualificações, hábitos. A segregação do pobre e a do imigrante na metrópole não são o mesmo processo”, concluiu. 
 
Tendências demográficas no Brasil 
 
Além de Marta Arretche, também participou do evento o pesquisador do CEM José Marcos Pinto da Cunha, professor titular no Departamento de Demografia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e cientista do Núcleo de Estudos de População, ambos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Cunha falou sobre o tema “Metropolização e distribuição espacial da população em São Paulo: uma agenda de pesquisa”.
 
 
Pesquisador do CEM, o professor José Marcos Pinto da Cunha também participou como palestrante do Fapesp Week Belgium.
(Foto: Heitor Shimizu/Divulgação-Fapesp)
 
Ele enfocou os principais assuntos que investiga a respeito do processo de metropolização e da dinâmica demográfica no Estado de São Paulo. Conforme reportou a Agência Fapesp, Cunha apontou que os fluxos migratórios de grande escala foram cruciais para explicar o processo de urbanização e metropolização ao longo do século 20 no Brasil. Segundo ele, nas últimas décadas, as principais metrópoles brasileiras têm apresentado baixas taxas de crescimento populacional, devido à diminuição dos fluxos migratórios destinados a elas. Ao mesmo tempo, outros centros urbanos menores estão apresentando altas taxas de crescimento populacional. 
 
De acordo com o pesquisador, essa dispersão urbana tem levado a uma reestruturação produtiva, com desconcentração das atividades econômicas, concentração de funções de comando e de poder, emergência de complementaridades socioespaciais em escala regional e fluxos topológicos e topográficos.
 
Fapesp Week Belgium

 Participantes do Fapesp Week Belgium.
(Foto: Marcelo Meletti/Divulgação-Fapesp)
 

(Texto da assessoria de comunicação do CEM, com informações da Agência Fapesp)
 
Sobre o CEM:
Criado em 2000, o Centro de Estudos da Metrópole (CEM) é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Cepid-Fapesp) e reúne cientistas de várias instituições para realizar pesquisa avançada, difusão do conhecimento e transferência de tecnologia em Ciências Sociais, investigando temáticas relacionadas a desigualdades e à formulação de políticas públicas nas metrópoles contemporâneas. Sediado na Universidade de São Paulo (USP) e no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), o CEM é constituído por um grupo multidisciplinar, que inclui pesquisadores demógrafos, cientistas políticos, sociólogos, geógrafos, economistas e antropólogos.
 
 
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